quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Arte na Psicanálise - Camille Claudel -

    Camille Claudel nasceu em 8 de dezembro de 1864 na pequena cidade de Aisne e cresceu na aldeia de Villeneuve-sur-Fère, território de Champagne, na França.
Os pais de Camille, Louis-Prosper Claudel e Louise-Athanaïse Claudel, tiveram quatro filhos, mas somente três sobreviveram, duas mulheres e um homem. Camille era a segunda filha do Casal, herdando o nome de seu irmão, o primeiro filho, falecido aos 15 dias de idade. A irmã mais nova, Louise, herdara o nome da mãe e era a preferida. Camille então criou com o irmão Paul (4 anos mais novo) uma cumplicidade.
    O ambiente familiar era entremeado de conflitos. O pai trazia consigo ideais artísticos, mas sentia-se frustrado, projetando suas aspirações nos filhos – principalmente em Camille. A mãe pouco afetiva, distante, reservada e controlada, mantinha-se afastada dos filhos.
O pai de Camille, maravilhado com o precoce talento da filha fazia de tudo para ajudar a  desenvolver seu potencial artístico. Sua mãe, por outro lado, não vê com bons olhos, colocando-se sempre contra a todo aquele empreendimento, muitas vezes reprovando a filha que traz incômodos e custos excessivos para a manutenção de seu "capricho".
    Dotada de enorme talento que pode ser claramente visto em seu trabalho, desde jovem Camile demonstrava grande facilidade no manejo do barro e o fazia com destemido instinto, preferindo a sensação de tocar o material à de desenhar.
Isso porque sua família passava as férias sempre em Villeneuve, onde Camille tinha um contato muito próximo com a natureza, constantemente fugindo de casa para ingressar nos bosques; desenvolveu uma intimidade muito grande com as árvores, as pedras e o barro. Conhecia as pedras da região e dava-lhes nomes. O bosque era seu refúgio, para onde ia despistando até mesmo seu companheiro Paul.
    Quando a família de Camille mudou-se do bairro onde moravam, passaram a ser praticamente vizinhos de Alfred Boucher, importante escultor do século XIX. O pai de Camille levou seus trabalhos para a apreciação de Boucher que, impressionado com o talento da jovem, levou esses trabalhos para a apreciação de outro famoso escultor Paul Dubois. A partir daí, foi fácil para Camille entrar para a "Académie Colarossi" uma das raras academias abertas também para mulheres.
Em seguida, juntou-se a um grupo de três outras escultoras e começaram a ter aulas informais com Boucher que visitava o estúdio delas uma vez por semana. Quando em 1883 Boucher mudou-se para a Itália, Rodin assumiu a responsabilidade perante as estudantes.
    O deslumbramento pelo enorme e precoce talento da artista e os encontros sucessivos entre Rodin (casado), 43 anos e Camille, 19 anos, levou-os a uma relação que durou quinze
anos, relacionamento que influenciou toda a técnica utilizada por Camille em seus trabalhos até então. O drama pessoal entre Camille Claudel e Rodin serviu, também, para ofuscar o brilho de Camille como artista.
O período em que ela ficou no estúdio de Rodin como sua assistente foi considerado o mais produtivo da vida do famoso escultor e para Camille, a pior fase para a sua afirmação como escultora. Sua vida e seu trabalho ficaram, sem dúvida, ligados ao gênio Rodin o que virou uma trágica história de criação, amor e loucura. Para Rodin, Camille foi modelo, assistente, amante e rival.
O romance com Rodin terminou em 1898, mas Camille continuou a esculpir. Longe dele começou a ter problemas financeiros e a demonstrar sinais de distúrbios mentais. Em 1906, ela destrói grande parte de seu próprio trabalho sendo internada em um hospital para doentes mentais.
    A vida de Camille foi marcada por paixão, sofrimento, revolta e trabalho.
Seu pai, umas das referências de segurança e afeto de Camille, morre em 3 de março de 1913.
A eclosão da Primeira Guerra Mundial levou-a a ser transferida para Villeneuve-lès-Avignon, onde Camille Claudel passou os últimos trinta anos de sua vida e lá morreu, em 1943, sem nunca ter recebido a visita de sua mãe.

    Na idade adulta, Camille teria feito a seguinte afirmação: "Há sempre algo de ausente que me atormenta"; o que sugere que ela tenha sentido os primeiros contatos com a mãe como uma falta básica muito importante. Provavelmente a base de sua identificação primária seja pontuada pela sensação de ausência do outro, a ausência do olhar materno e do reconhecimento, o que ela acabou buscando na relação com Rodin.
    Winnicott (1971) afirma que as vivências de feminilidade de um bebê com sua mãe são as responsáveis pela constituição da base do seu self e, conseqüentemente, o que possibilitará a experiência de ser. Porém, os processos introjetivos que promoverão um sentido de consistência interna só podem se dar mediante uma presença, a desta mãe, que para Camille foi marcada pela ausência.
Enquanto o Elemento Feminino está ligado ao sentimento de ser, o Masculino está intimamente relacionado ao fazer. Sendo que este fazer, em situações adversas, pode incluir um agir compulsivo visando a uma precoce auto-sustentação.
    Segundo Ferenczi (1932) com o início das atividades como escultora de Camille, o jogo de sedução com seu pai tornou-se mais explícito. O que por um lado, era uma promessa de resgate de uma não existência, por outro lado, tinha um caráter de relação intrusiva. Camille precisava ativamente corresponder às expectativas do pai; para garantir este contato, mantinha com ele uma relação passional.
    O trio é uma busca constante na obra de Camille, assim como um triângulo se forja em sua vida, estagnando-a.
Sabe-se que o complexo edipiano é intensamente influenciado pelas coisas que se sucedem a partir da primeira relação exclusiva com a mãe e, quando esta é perturbada muito cedo, a rivalidade introduz-se prematuramente.
Assim, o ciúme, até certo ponto, suplanta a inveja e a mãe torna-se a principal rival. A menina deseja ocupar o lugar da mãe, possuindo e tomando conta dos bebês que o pai amado dá a esta.
Esta afirmação pode ser observada quando Camille Claudel precisava ativamente corresponder às expectativas do pai e quando aparece com o ventre crescido em "A Suplicante", parte integrante de sua obra de arte "A Idade Madura", além do fato de relacionar-se com um homem que tinha a idade de seu pai.
    Camille Claudel, em uma carta para seu irmão Paul, fez a seguinte afirmação: "Continuo presa ao meu grupo de três".
Esse triângulo pode ser observado em sua obra de arte "A Idade Madura", a qual é constituída por três protagonistas: uma jovem ajoelhada que estende os braços em direção a um homem mais velho, virado de costas, que se deixa levar por uma mulher mais velha ainda - onde é retratado o sentimento de derrota de Camille frente à Rose (esposa de Rodin), ou até sua mãe.
    O "superego invejoso" de Claudel aniquilou suas tentativas de reparar e criar quando Rodin terminou seu relacionamento extraconjugal com a mesma, já que esta teve a fantasia de ter perdido, para Rose, aquele que tinha como objeto bom e invejado. À partir de então, Camille parou de produzir e sentiu-se derrotada.
Constatou-se que Camille Claudel conseguiu retratar o que parecia impossível, a ausência que a atormentava. Tentou construir a si própria e reconstruir sua história através de suas lutas, força, beleza, eternos triângulos, paixões, fragilidades e, por fim, sua loucura.

Thuanny Caldas - PSN 51

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Projeto Loucura - Manicômios - EB1

Trabalho feito a partir de uma visita à Oficina de Criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro em 2010
Cadeira de Estágio Básico 1 - Psicologia IPA - 2° semestre


O MAL-ESTAR DA CIVILIZAÇÃO – Sigmund Freud


    Segundo Freud, a cultura vem produzindo sofrimento aos seres humanos, pois a civilização “castra” as pulsões do homem para que ele atenda apenas as necessidades da sociedade em que está inserido, tornando-o mais passivo e produtivo.
    O homem, por sua vez, vive tão somente em busca da felicidade plena, utópica, que nos é oferecida através dos mais diversificados comercias que vemos todos os dias na televisão, por exemplo – felicidade como satisfação (princípio do prazer). Deste modo a felicidade torna-se inalcançável, pois é praticamente impossível obter a satisfação plena em todos os campos da nossa vida. Mesmo que alcancemos algo que desejamos e que supostamente nos proporcionaria a felicidade, logo surgirá algum outro desejo superior ao anterior, e assim sucessivamente numa busca infindável.
    Esta busca pela felicidade acaba sendo frustrante, e o homem se sente inseguro diante da vida, diante a uma promessa de felicidade vã, já que a própria sociedade é uma grande produtora de infelicidade e mal-estar. Não seria então, mais razoável que aprendamos a lidar melhor com a infelicidade e a frustração? Na minha opinião sim, pois basta estarmos vivos para uma hora ou outra nos depararmos com elas. A felicidade é uma questão de escolha individual: ou nos deixamos abater pelas frustrações cotidianas, ou aprendemos a viver com elas. 

Teorias e Sistemas Psicológicos IV - PSN 51
PRO DIA NASCER FELIZ
                                                                                
Documentário de João Jardim


    Este documentário sem dúvida impressiona a qualquer um ao retratar a realidade de “educações” brasileiras, através dos depoimentos de jovens do ensino médio e de professores de três diferentes regiões brasileiras.
Começando pela nordestina Valéria, vista como anormal por gostar de ler, e que escrevia tão lindas poesias sobrepostas a sua dura realidade de adversidades sociais. No entanto, as professoras não acreditavam serem dela tais poesias e redações tão boas. Quer dizer, uma simples pobre menina do sertão não pode ser capaz de ter tanta sensibilidade e dom para a escrita, muito menos gosto pela leitura. Bom, se as próprias professoras pensam assim, que estímulo tais crianças recebem para a educação? Além de sua própria força de vontade, nenhum.
    Já nas escolas de classe média alta de SP e RJ, vemos alunas angustiadas, adoecendo pela superexigência imposta a elas em relação aos estudos. Muita expectativa, competição e muito pouco afeto – elas não têm tempo para isso.
Vemos ainda, a realidade das escolas das periferias do RJ e SP, largadas à negligência e irresponsabilidade política e de ausência de cidadania. Os professores simplesmente fingem ensinar e alunos fingem aprender. São professores amedrontados e cansados de alunos delinqüentes.
Tais jovens afirmam não terem problema em roubar ou até mesmo matar, pois o máximo que vão pegar é três anos na Febem, por serem de menor e, além disso, vêem todo o dia que os políticos roubam muito mais e não são presos.
Basta ligar a televisão e está lá: o crime no Brasil compensa!
É a mídia fazendo o papel do professor e este, perdendo cada vez mais sua verdadeira função e prestígio.








Psicologia Educacional - PSN 51